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Little Fires Everywhere: 7 motivos para assistir a série do momento

No último mês, o nome Little Fires Everywhere, tomou conta da internet. A série, originalmente do canal Hulu, ganhou sucesso no Brasil pela recente distribuição na Amazon Prime Video e, principalmente, pelos importantes debates realizados devido a seu enredo.

A primeira cena de Little Fires Everywhere mostra as consequências de um incêndio criminoso na casa de uma das famílias protagonistas da história. A partir daí, somos convidados a voltar no tempo e entender como tudo se desenvolveu para chegar neste momento. Rapidamente, percebemos que a série será muito mais complexa do que aparenta já que, o pilar da trama está na batalha de duas mulheres, cada uma com um jeito peculiar, para criar seus filhos das maneiras que elas consideram corretas.


Assim, aqui vão sete motivos para ninguém perder a série do momento:

Motivo 1: A produtora Hello Sunshine

Não é de hoje que Reese Witherspoon (sim, ela também é mais um motivo, mas já já chegamos lá), tem se esforçado para tornar realidade obras protagonizadas por mulheres. Depois da super aclamada Big Little Lies, da HBO, Reese mergulhou de cabeça nessa série cheia de poder feminino através da sua produtora Hello Sunshine. O intuito da atriz é dar espaço feminino em todas as áreas da criação, por isso, em LFE, showrunner, diretora e roteiristas são mulheres. Inclusive, vale mencionar, que a história é inspirada no best seller homônimo da autora Celeste Ng, que até trabalhou nos bastidores como produtora.

Motivo 2: O elenco

Além de Reese Witherspoon, quem também protagoniza a série é Kerry Washington! As duas interpretam mães fortes e completamente opostas. Enquanto a personagem de Witherspoon é uma jornalista frustrada, de família rica, controladora, branca (importantíssimo), supersimpática e com quatro filhos adolescentes, Washington dá vida a uma mãe-solo negra, fechada para novos contatos, artista plástica e que não dá valor a dinheiro e bens materiais. As duas estão incríveis nos papéis e conseguem transmitir cada sentimento necessário para todas as cenas. É quase inevitável que o espectador comece a torcer pelo lado de uma ou de outra, contudo, a série consegue mostrar que ninguém possui apenas lados positivos ou negativos. Logo, não somos influenciados a assistir a um conflito entre duas mulheres, mas sim, um conflito entre duas pessoas que acreditam estar fazendo a coisa certa. 

Além dessas duas deusas de Hollywood, também é impossível não comentar sobre o trabalho dos atores mais novos. Diferentemente de muitos filmes, nos quais os adolescentes são tratados de forma quase filosófica e muito mais maduros que a realidade, todos os jovens de LFE aparentam ter a idade que tem e, principalmente, agem como tal: são intensos e ingênuos ao mesmo tempo. Suas problemáticas são palpáveis, mas, mesmo assim, não deixam de ser importantes. Então, a direção sabe aproveitar o talento de cada um deles para tratar de assuntos como aborto, descoberta da sexualidade e indecisões de forma bem completa.

Motivo 3: Racismo Estrutural

É fascinante como LFE consegue abordar tão bem diversos temas essenciais e complexos de nossa sociedade, sendo o racismo um dos principais. São várias as passagens que ficamos envergonhados por falas da personagem de Witherspoon e, pior ainda quando notamos que ela realmente não está fazendo “por mal”, mas porque foi ensinada assim. Em outros momentos, também somos apresentados a uma realidade que, volta e meia, é jogada para debaixo do tapete: para duas cores, existem duas medidas. Por isso, em alguns momentos, a série é sutil e mostra o medo constante vivido por pessoas não-brancas apenas nos olhos de suas personagens, já em outros, faz questão de jogar na cara do espectador cenas revoltantes. Importante comentar: embora um pouco menos visível, também existe todo um enredo com relação aos asiáticos e a imigração ilegal para os EUA.

Motivo 4:  Mulheres, mulheres e mais mulheres

Talvez o tema principal da trama esteja envolvido pelo mundo feminino. Como dito antes, o tempo todo assistimos a duas mães que fazem questão de se intitularem como Mães, com letra maiúscula. Elas julgam como cada uma cria seus filhos e fazem o que for preciso para atendê-los, inclusive desistirem de seus sonhos. No entanto, exatamente por terem modificado suas vidas, tanto a personagem de Witherspoon, como a de Washington, criam planos e expectativas altas para cada um de seus filhos, planos esses que, muitas vezes, não estão de acordo com o que os próprios jovens querem seguir em suas vidas. Nesse momento, surge, na série, os melhores conflitos e diálogos: filhos vs mães; mães vs mães; filhos vs filhos; mães vs pais e assim por diante, tudo de forma sincera e natural, sem grandes exageros e extremamente emocionante. São várias as formas de maternidades abordadas em LFE, desde aborto e a não vontade de ter filhos à adoção e barriga de aluguel.

Mas não é apenas de filhos que uma mulher é feita e a série faz questão de deixar isso bem claro. Ao mesmo tempo que percebemos como pode ser linda a percepção de que é preciso separar o fato de ser mãe e de ser mulher, também acompanhamos como pode ser difícil para uma mulher chegar a essa conclusão. Nesses casos, os maridos podem ajudar – ou atrapalhar – esse processo porque, muitas vezes não conseguem se colocar no lugar das esposas e terminam rebaixando-as como “apenas” mães de seus filhos. 

Motivo 5: Anos 90

Depois da moda dos anos 1970 e 1980, finalmente a década de 90 volta a aparecer nas telas e, para quem viveu nessa época, a sensação de nostalgia é enorme! Os cortes de cabelo, as roupas, os carros, as festas... tudo é muito bem reproduzido para transportar o espectador ao passado. Um destaque excelente é a trilha sonora reimaginada com vários covers de músicas conhecidas e uma versão incrível de You Oughta Know, de Alanis Morissette, no violino. Também é bem interessante perceber como alguns pensamentos da época foram se transformando com o passar dos anos. 

Motivo 6:  É maratonável

Para aqueles que curtem assistir a uma temporada inteira de uma vez, LFE é uma ótima pedida! O ritmo da série é ótimo e os episódios vão passando com facilidade. Sempre que imaginamos para onde a trama está indo, somos surpreendidos com alguma informação nova que muda o rumo dos fatos. A partir de determinado momento, voltamos ainda mais no tempo e entendemos sobre o passado das personagens principais – a partir daí, decidir “um lado” fica ainda mais complicado. O melhor de tudo é que não precisamos ficar com medo de não chegarmos ao final da história porque a série realmente termina no último episódio e não há projeto para novas temporadas.

Motivo 7:  É para todo mundo! (Para todo mundo acima dos 16 anos)

Embora LFE mostre bastante sobre o mundo feminino, as mulheres não são o único público da série! Pelo contrário: é essencial que homens também assistam para poder compreender um pouco mais sobre machismo e masculinidade frágil, além de todas as dificuldades vividas pelas mulheres. A obra é muito bem elaborada e não merece ser rotulada para apenas um público. E mais: é muito importante marcar que algumas das problemáticas vividas pelas mulheres da série, podem, sim, ser vividas por homens, um exemplo é a maternidade, que poderia ser substituída pela paternidade e gerar tantas questões quanto. Por fim, não podemos esquecer do incêndio que vemos na primeira cena – todo bom curioso vai querer saber como essa história se desenrolou.

Dessa forma, Little Fires Everywhere é uma série que faz o espectador ficar com um sorriso no canto da boca (ou uma lágrima no canto dos olhos). É daquele tipo de obra que continua mesmo depois de terminar, que faz pensar por muito e muito tempo sobre “como podemos nos enxergar quando temos medo de ver quem realmente somos”. Dica: pare para pensar no significado do título e nas duas últimas cenas da série, vale a pena.

Sobre o Autor

Marcelle Souza

Enquanto uns me chamam de Dory do Procurando Nemo, outros dizem que eu nasci para comandar um quartel. Sempre apaixonada por pela sétima arte, transformei o Cinema em profissão. Hoje, sinto que minha missão na Terra é indicar os melhores conteúdos para todo mundo se encantar com a cultura tanto quanto eu.

Instagram: @marcellesg95


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