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O maior erro de The Umbrella Academy + Crítica da 2ª Temporada

Mais um fenômeno da Netflix voltou ao ar para sua segunda temporada neste fim de semana. The Umbrella Academy, série baseada nas HQs criadas por Gerald Way (sim, o vocalista da banda My Chemical Romance) e ilustradas pelo brasileiro Gabriel Bá, fez grande alarde logo que estreou devido ao humor nonsense, ao elenco estrelar, à temática de heróis, à trilha sonora de alta qualidade e à originalidade dos personagens. Mas, será que esses personagens são tão inovadores assim? 


AVISO DE SPOILERS DAS DUAS TEMPORADAS DE THE UMBRELLA ACADEMY


COMEÇOU ERRADO

O seriado gira em torno de sete bebês superpoderosos que foram adotados por um gênio milionário e terminaram virando uma famosa família de heróis. Luther (Número 1) possui uma força inimaginável comparada a de um animal; Diego (Número 2) controla objetos perfurantes como ninguém; Allison (Número 3) convence qualquer um a fazer qualquer coisa; Klaus (Número 4) consegue contato com os mortos; Número 5 (sem nome) se teletransporta e viaja no tempo; Ben (Número 6) cria tentáculos no corpo em momentos oportunos; Vanya (Número 7) que parece não ter nenhum tipo de habilidade, até que, no fim da primeira temporada, somos apresentados ao fato da personagem ser a mais forte de todas e responsável pelo fim do mundo.

De fato, é preciso admitir que esses poderes não aparecem com tanta frequência no universo pop, principalmente juntos. Contudo, desde a primeira parte, há uma personagem que causou debates na internet por causa de sua natureza estereotipada: a Vanya. Esses conflitos serão abordados de forma diferente na segunda fase da trama, mas já já chegamos lá.

Na primeira temporada, a "supernormal" Número 7 descobre que, não só possui poderes fortes o suficiente para quebrar a Lua e causar o apocalipse no planeta Terra, como também que seu pai a drogava por ter medo da jovem. O temor do cientista era que Vanya não conseguisse controlar suas emoções, terminasse "explodindo" e causando a destruição total (exatamente o que aconteceu). Porém, essa construção é banal e reforça um pensamento machista com relação à personagens femininas. 

Quem não lembra da Feiticeira Escarlate, dos Vingadores, ou da Ravena, dos Titãs, ou então, da Fênix Negra, dos X-Men? A proposta de alguém com habilidades capazes de extermínio em massa e que sofre para controlar os sentimentos acontece quase exclusivamente com personagens femininas, como se homens não fossem suscetíveis a sofrer de descontrole emocional. 

Esse fator, junto à falta de ritmo, à previsibilidade e algumas outras coisas, dificultaram a experiência da primeira parte de The Umbrella Academy. 

Até que a segunda temporada chegou...


CRÍTICA 2ª TEMPORADA

É importante avisar que a segunda temporada de The Umbrella Academy compensou e corrigiu todos os problemas da primeira. A série mais parece uma versão do filme Esquadrão Suicida que deu certo. O humor ácido, a trilha sonora criativa, a violência "tarantinesca", a fotografia com cores vivas e o excelente uso de câmera lenta continuam sendo méritos do seriado, mas, o que se destaca nessa continuação é o desenvolvimento da trama.

Após o apocalipse causado por Vanya em 2019, o grupo de irmãos cai - literalmente - na década de 60 e precisa, novamente, tentar evitar o fim do mundo. Sim, mais um apocalipse e, sim, de novo, causado pela Número 7. Mas, dessa vez, o motivo é muito mais plausível e, acreditem se quiser, tem a ver com teorias da conspiração e com a Guerra Fria!

Talvez essa seja a melhor parte da segunda temporada. Diferentemente do que estamos acostumados nos filmes de viagem no tempo, cujos personagens fazem de tudo para não causar danos a linha temporal, em The Umbrella Academy, tudo termina causando diversas anomalias temporais: Klaus vira uma líder de uma seita hippie, Luther começa a lutar em ringues, Diego tenta, a todo custo, evitar a morte de John Kennedy e até Ben, mesmo morto, se apaixona. Todos esses enredos são muito bem trabalhados - inclusive, mostrar mais do irmão fantasma foi um grande encaixe dessa temporada, principalmente pensando no que está por vir na próxima fase da história.

Mais um acerto está nas personagens femininas! Allison finalmente recebe o destaque que merece e vira uma das grandes responsáveis pelos movimentos contra segregação racial. Através dela, a produção fala sobre racismo, violência policial e perda de uma maneira sensível. Vanya também cresce! Mesmo passando uma parte da temporada sem lembrar quem é, a personagem não cai novamente no estereótipo da "mulher descontrolada", pelo contrário! Quando ela lembra da identidade, assume suas habilidades com maestria e até brinca com o fato de que os outros tinham medo dela. Isso sem contar como foi importante para a jovem se aceitar ao lado de Sissy e seu filho autista.

Falando em Sissy, outro ponto positivo são os novos personagens introduzidos nessa etapa. Quem também entra para ajudar (ou atrapalhar) os irmãos é Lila, cujos poderes e humor talvez sejam os mais notáveis da série. Além de Raymond, marido de Allison que termina sendo nosso ponto de conexão com personagens "normais" e mostra que não é preciso ter habilidades especiais para lutar pelos motivos certos e tentar mudar o mundo. Ah! Vale comentar: existe um personagem que é um peixe fumante - e isso vai ser uma das coisas mais sem noção que o espectador vai ver.

Por fim, a cereja do bolo: os plot twists! Ao contrário do que havia sido apresentado na primeira fase, com uma narrativa fácil de prever as consequências, a segunda temporada é cheia de reviravoltas inesperadas e gatilhos para os próximos episódios que nos prendem na cadeira até o fim. Outro fator intrigante desse período é assistir ao passado dos personagens e entender alguns paradoxos temporais causados por eles mesmos — como o Número 5 explicando ao pai como ele irá adotá-los e a relação do cientista com a esposa e o macaco Pogo. Assim, chegamos ao último capítulo, criando teorias, refletindo sobre o que acabamos de ver e torcendo para que não demore muito para o lançamento da terceira parte da história.

Desse modo, parece que os criadores ouviram os fãs e fizeram várias correções nessa segunda temporada, principalmente com relação às personagens femininas que, agora, são mais seguras de si e individualmente relevantes para a trama. The Umbrella Academy saiu do patamar de apenas mais uma produção bem-humorada sobre super-heróis e chegou ao nível de uma obra que verdadeiramente tenta se aprofundar na construção de personagens (extremamente carismáticos, vale lembrar) e na qualidade social do material entregue. Com a possibilidade da entrada de aliens em uma nova linha temporal no enredo e, se a curva de ascensão continuar, os próximos anos serão melhores ainda.

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