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O que Karl Marx diria sobre o COMUNISMO em 2020?

Quando ouvimos o termo comunismo, a primeira coisa que pode vir a nossa cabeça são exemplos de países como Venezuela, China, Cuba e Coréia do Norte. Logo depois, o nome mais associado a esta ideologia política é do importante sociólogo do século XIX, Karl Marx, como se ele tivesse sido o inventor deste modelo. Contudo, os ideais de uma sociedade igualitária podem ser encontrados desde a Antiguidade Clássica, nos escritos de A República, de Platão, e Marx quase não fala sobre o comunismo em sua obra. Existem muitas dúvidas e questões não-resolvidas sobre este assunto. Por isso, aqui vão algumas respostas para as perguntas mais frequentes sobre a tal bandeira vermelha.

Karl Marx

Para começar, o que é o famigerado comunismo?

O comunismo é uma doutrina social a qual se pode - e deve - ser restabelecido o "estado natural", ou seja: todos os cidadãos devem ter exatamente os mesmos direitos e, para isso, seria necessária a abolição da propriedade privada. Assim, o comunismo pode ser considerado o opositor direto ao capitalismo porque oferece uma alternativa para os problemas sociais causados pelos legados imperialistas e nacionalistas.

As principais características do modelo comunista são: a inexistência das classes sociais, uma política apartidária, a ausência do estado, o controle dos meios de produção, a extinção da propriedade privada e a consequente orientação da economia de forma planejada para suprir todas as necessidades da sociedade e seus indivíduos. 

A palavra comunismo apareceu pela primeira vez na impressa em 1827, quando o ativista social Robert Owen explicou que a ideologia considerava o capital comum mais benéfico que o capital privado.

Então, o que Karl Marx tem a ver com o comunismo

Menos do que as pessoas imaginam! A obra do sociólogo alemão não é simples de ser compreendida: alguns de seus discursos eram extremamente didáticos para os trabalhadores, já outros, eram ligados à estudos científicos e bem mais complexos. De fato, a teoria que dá base à construção do comunismo, tem como ponto de partida a análise feita por Marx sobre a sociedade capitalista, mas sua participação não vai muito além disso. 

As contradições socioeconômicas durante a Revolução Industrial são os principais fatores dentro do contexto histórico vivido por Marx. A partir disso, ele dedica a sua vida à interpretação das ligações presentes no capitalismo. Para o sociólogo, a relação de dependência entre o dono dos meios de produção e os trabalhadores era injusta já que os operários vendiam suas forças de trabalho (muitas vezes em condições precárias), mas quem lucrava verdadeiramente era o dono da fábrica. Isso termina gerando o que, posteriormente, será chamado de luta de classes - a conscientização por parte dos trabalhadores de que nenhum produto poderia ser produzido sem a sua mão de obra e que eles deveriam ser valorizados por isso.

Assim, surgem dois conceitos em sua teoria: a estrutura e a superestrutura, sendo a primeira a simples relação entre patrão e empregado e, a segunda, o resto da sociedade e seus costumes como um todo. E talvez esse seja o ponto mais interessante da teoria do pensador. Para ele, a estrutura influencia a superestrutura a partir do momento em que a sociedade se organiza de acordo com as necessidades relacionadas ao trabalho, no entanto, nem todas as pessoas da sociedade se encaixam nesse modelo! 

Marx considera ofícios físicos e intelectuais igualmente essenciais para o crescimento de uma nação, mas ele atribui aos estudiosos o dever de conduzir o povo para o caminho da não-alienação e da transformação da realidade. A consequência de todo esse processo de entendimento seria a adequação das condições de trabalho para que todos os cidadãos pudessem contribuir de alguma forma para a sociedade, chegando, assim, ao comunismo.

E esse tal de socialismo?

Seria extremamente difícil para qualquer país sair de um estado de capitalismo selvagem e entrar em um regime comunista. Logo, existe um momento de transição: o socialismo. A ideia de base desse regime é pensar na quantidade de trabalho de acordo com a necessidade de cada pessoa, sendo o Estado o responsável por controlar essa demanda.

Contudo, está na raiz do socialismo ser algo temporário porque o Estado não deve ficar eternamente no poder. A tendência, segundo o próprio Marx, seria o governo caminhar para uma ditadura do proletariado, na qual os trabalhadores seriam os verdadeiros organizadores da sociedade e a burguesia, teria que se adequar aos termos da maioria.

Teoria da Vaca - Créditos: Canal Parabólica

Nota da autora:

Enfim, chegamos ao momento atual... 

Muitos dizem que a queda do Muro de Berlim, em 1989, é considerada o fim do comunismo mundial por permitir a expansão do capitalismo para o leste europeu. Porém, há controvérsias se este "mundo comunista" realmente chegou a existir. 

Caso Marx viajasse no tempo e chegasse em 2020, ele afirmaria que nenhum país no mundo conseguiu seguir seu modelo ideal. Isso porque China, Cuba, Coréia do Norte e nenhum outro são países comunistas e, provavelmente, nunca serão! A explicação rápida seria com relação ao fato destas nações ainda serem governadas pelo Estado, porém o esclarecimento vai muito além da não-dissolução deste poder.

A verdade é que, assim como todas as ideologias políticas, o comunismo também encontra um inimigo em comum: o ego humano. Portanto, regiões que, teoricamente, estariam vivendo a transição socialista, se afastam cada vez mais do governo do povo, muito por causa das pessoas que as comandam que se deslumbram com o controle e se esquecem da proposta social. Assim, são frequentes os relatos de violência e censura vindos da própria população tão agressivos quanto em qualquer outro regime totalitário.

Talvez hoje, a experiência mais próxima da ideologia comunista não venha por parte de estados, mas sim de líderes sociais. Um excelente exemplo é o ex-presidente do Uruguai, José "Pepe" Mujica, que interiorizou tais conceitos e os aplica em sua vida. Aos 85 anos, Mujica é conhecido por viver com apenas 10% de seu salário e doar o resto para a caridade, assim como por sua luta durante a ditadura uruguaia, que o deixou preso dentro de um poço durante 14 anos. 

Se Marx conhecesse Mujica, poderia dizer que o ex-presidente entendeu perfeitamente o espírito do desprendimento material e da solidariedade. Mas o sociólogo, vendo o resultado deturpado de suas teorias em diversos países, precisaria admitir que o comunismo é uma excelente ideia que nunca chegará a ser aplicada porque, antes de vencer o capital, o homem precisaria aprender a vencer seu próprio egoísmo. Tarefa que é muito mais difícil e ultrapassada por poucos.

Ver perfil completo da Autora: Marcelle Souza

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2 Comentários

  1. Oi Marcelle! Gostaria de saber se você também acha o comunismo uma excelente ideia ou se você apenas replicou o pensamento do Marx.

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    1. Oi, Hans, tudo bem!
      Essa última parte do artigo é uma “nota de autor”, é uma parte onde compartilho minha opinião. Acho sim, o comunismo uma ótima ideia na teoria, mas utópico e impraticável nos dias atuais. ;)

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