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REGIME TOTALITÁRIO: O que é? De onde vem? Como Identificar? (+ Dicas de FILMES)

De tempos em tempos, as palavras fascismo, nazismo e comunismo voltam à boca das pessoas que acusam os governos de determinados países de seguirem esses vieses políticos. No entanto, o que mais se vê na internet, é a demonstração de que esse assunto ainda não é completamente entendido. A verdade é que, seja direita ou esquerda, ambas as correntes podem desenvolver regimes governamentais totalitários. Por isso, vamos explicar como identificar esse tipo de política e ainda indicar filmes que ilustram perfeitamente seu surgimento na sociedade.

Antes de tudo, é preciso compreender o que é um regime totalitário.
Alemanha nazista

Após a Primeira Guerra Mundial, a Itália estava destruída física, social e economicamente. Com isso, o medo de uma revolução vinda da classe trabalhadora e, consequentemente, uma guerra civil, assim como aconteceu com a Rússia (antiga União Soviética), surgiu entre os membros da elite. Logo, Benito Mussolini, começou a apelar para a frustração do povo: ele pregou que a única forma de abafar uma possível revolução comunista seria com uma sociedade dividida entre fortes e fracos e um Estado totalmente autoritário. As pessoas estavam tão desesperadas que acreditavam em qualquer um que aparecia prometendo um "paraíso". Mas como isso funcionou?

Para começar, os fascistas criaram uma narrativa de que eram os únicos capazes de honrar as tradições históricas através de discursos preconceituosos, reacionários e ultra conservadores, que terminavam culpando outros grupos pelos males sofridos no país. ("Outros grupos" pode significar desde etnias ou identidades de gênero das minorias a correntes científicas, artísticas e religiosas que não seguissem os planos do governo). Na época, era comum as grandes fogueiras de livros considerados "deturpados". Essas queimadas seriam quase impossíveis em um cenário atual, mas, hoje, outras formas de censura podem ser identificadas, como o aumento abusivo de impostos sobre livros, por exemplo. Um governo totalitário tem repulsa ao diferente e considera inimigo qualquer maneira de oposição. E, claro, inimigos devem ser exterminados! 

Outra característica marcante nesse governo é o nacionalismo que, diferentemente do patriotismo, não aceita receber críticas ao seu país e o vê como superior a todos os outros. Assim, é comum a junção de elementos que buscam fazer com que a população se sinta cada vez mais ameaçada: o discurso de ódio contra tal "inimigo" e as várias teorias conspiracionistas. O fascismo precisa sempre alimentar a necessidade de luta para parecer que está efetivamente agindo em prol da sociedade. Por isso, há uma devoção ao militarismo.

O totalitarismo é bem conhecido pela violência, já que o Estado considera que absolutamente tudo pode ser feito para garantir o triunfo do país. Os cidadãos, inclusive crianças, são incentivados a mostrar serviços heróicos ao governo, nem que seja preciso morrer por isso. Essa ideologia retira as individualidades das pessoas e cria duas únicas categorias: o povo e o líder. O chefe do governo se promove como o único capaz de fazer com que a nação chegue ao topo.

Por último e de grande importância: o marketing. Esses regimes fazem uso de muitas propagandas criadas de forma que entrem na mente da população e realizem a famosa "lavagem cerebral", através de frases curtas e fáceis para uma absorção imediata.

Muitos são os governos que utilizaram - e utilizam - dessas técnicas para garantir o sucesso de determinada ideologia política. O fascismo foi o começo de tudo no mundo moderno, mas Alemanha, Portugal, Espanha, Turquia, Rússia e até Brasil também estão nesta lista macabra da história. 


No entanto, como ainda podem sobrar dúvidas sobre como um povo pode cair nesta armadilha, aqui estão três indicações de filmes que, com certeza, podem complementar esse artigo.

1 - A Onda (Alemanha, 2008)

A Onda

Baseado em fatos reais, talvez A Onda seja o filme mais didático para que o espectador entenda como nasce um regime totalitário. Passado na Alemanha, a trama conta a história de um professor cuja missão é ensinar aos alunos sobre tais governos. 

De início, os jovens estão certos de que eles, principalmente por serem alemães, nunca mais cairiam nas garras de um líder autoritário. Dessa forma, o professor decide propor um desafio: criarem uma ideologia própria para ser aplicada apenas na sala de aula e mostrar a facilidade com que as massas podem ser manipuladas. São decididos métodos de avaliação exclusivos, uniformes, padrões de respostas e até uma saudação. Contudo, já na primeira aula, é possível ver que o experimento não seria tão inofensivo quanto aparentava.

Aos poucos, a situação sai de controle. Não só o professor começa a se animar pelo poder, como os alunos acabam propagando a ideologia pela cidade tornando o projeto em um movimento real. (Disponível no Telecine Play)

2 - Ele Está de Volta (Alemanha, 2015)

Ele Está de Volta

É assustador pensar que pessoas ainda concordam com os ideais nazistas e essa é a verdade chocante por trás de Ele Está de Volta. Também passado na Alemanha, o filme parte do princípio que Hitler não morreu, mas foi transportado no tempo até os dias de hoje. Assim, ele termina se transformando em um fenômeno da internet porque as pessoas acreditam que ele seria um comediante.

A comédia do longa-metragem é substituída por repulsa quando as pessoas começam a concordar com suas falas nacionalistas, antissemitistas e autoritárias, inclusive afirmando que o seguiriam caso ele resolvesse entrar para a política.

Tudo poderia parecer de uma ficção de mau gosto, mas, infelizmente, todos os relatos presentes no filme são reais

3 - Jojo Rabbit (EUA, 2019)

Jojo Rabbit

O vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado é mais uma comédia que diverte e abala o espectador. Jojo Rabbit conta a história de Jojo, uma criança já cega pelo nacionalismo nazista. O longa brinca com determinados exageros, mas explica como funciona a "lavagem cerebral" realizada pelo regime - a ponto do amigo imaginário do menino ser o próprio Hitler!

O enredo fica bem mais complicado quando a criança descobre que sua mãe está escondendo uma judia dentro de casa em meio a uma perigosa caça aos inimigos do Estado. (Disponível no Telecine Play)


BÔNUS: The Handmaid's Tale (EUA, 2017- )

The Handmaid's Tale

A ficção também se baseia em acontecimentos históricos para criar as mais diferentes distopias. Em The Handmaid's Tale, série vencedora de inúmeros Emmys, uma crise de natalidade atinge o mundo e termina criando um dos mais cruéis regimes totalitários já vistos.

A premissa da série é que os EUA deixam de existir e viram um novo país chamado Gilead, no qual o grupo religioso Filhos de Jacó dita as regras. Com a queda abrupta dos nascimentos e o desespero da população, eles começaram a criar algumas propostas que tiravam cada vez mais os direitos dos cidadãos até aplicar totalmente um golpe de Estado. Mas não, eles não agem sozinhos. O grupo só ganhou força por receber o apoio do povo que acreditava no "paraíso" que eles prometiam.

Durante a primeira temporada da série, acompanhamos o início da história de June, uma mulher que, graças às novas normas vigentes, terminou como uma escrava sexual de uma das principais famílias de governantes dos Filhos de Jacó. Já a segunda parte do seriado se aprofunda mais na criação desse novo país e seu funcionamento, como a religião, os castigos, as patentes hierárquicas da população e as reações que Gilead causa no mundo. Assim, a terceira fase caminha para luta do povo contra o governo.

The Handmaid's Tale é apavorante! Sua história é construída de uma forma tão realista que não surpreenderia caso notícias como essas começassem a aparecer na mídia a qualquer momento. (Disponível no Globoplay)

É exatamente por isso que não é possível parar de falar sobre regimes autoritários até que todo mundo entenda: é preciso aprender a identificar os pontos críticos desses governos para, assim, não permitir que histórias como essas voltem a acontecer. Não estamos falando sobre ficção, não estamos falando sobre o passado, estamos preocupados com o presente e assustados com o futuro. 


Ver perfil completo da Autora: Marcelle Souza


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4 Comentários

  1. Esqueceu de indicar o filme Polonês: Os Invencíveis. Este sim mostra a realidade sobre regimes totalitários. Documentários sobre Holodomor, também teriam sido ótimas dicas.

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    1. Maciel, eu mesma não conhecia essas obras. Muito obrigada pelas dicas! Posso até fazer um outro artigo indicando outras produções. :)

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  2. Essa prosa toda para falar do extinto e irrelevante fascismo. Pois fale do comunismo vivo de Cuba, Coréia do Norte e China.

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    1. Olá, tudo bem?
      Muito obrigada pelo comentário porque me fez perceber um erro no artigo. Então, acrescento a informação aqui. O fascismo pode ser entendido de duas formas:

      A primeira, como o momento histórico vivido pela Itália no período pós-Primeira Guerra Mundial. Esse período realmente já está no passado porque seria impossível fazer uma comparação com o contexto vivido pelo país naquela época.

      A segunda, no entanto, é o movimento político que, infelizmente, está bem vivo ainda nos dias de hoje. Alguns governos se utilizam abertamente de elementos fascistas, como é o caso da Rússia, Turquia, Hungria e Polônia. Já outros, incluem o totalitarismo de forma mais disfarçada.

      Agora, preciso discordar com o a palavra “irrelevante” em seu comentário. Qualquer momento histórico que tenha causado milhões de mortes não pode ser considerado sem importância. Espero que tenha entendido que o ponto do artigo foi exatamente falar sobre como o passado ainda reflete no futuro.

      Inclusive, podemos, sim, fazer uma publicação sobre o comunismo. Será, que, dessa vez, seu comentário será positivo?

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