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Como lidar com alguém que sofre com Transtorno Borderline

O termo Borderline foi usado no final da década de 30 pelo médico psicanalista Adolph Stern. Ele descrevia os pacientes que viviam no limiar entre a psicose e a neurose, com isso surgiu a palavra borderline (limitado/incerto, no inglês). Esse Transtorno também é conhecido como Transtorno da Personalidade Limítrofe. 

Imagem: Pixabay

ALGUNS SINAIS DO TRANSTORNO

1. A pessoa que sofre com o transtorno Borderline fica apavorada com medo de ser abandonada.

2. Vive uma linha instável entre o amor e o ódio, com seus altos e baixos.

3. Ela não consegue se enxergar, não vê as suas características negativas ou positivas, não consegue ter uma visão da sua identidade.

4. Não controla bem os impulsos, a pessoa que tem esse transtorno pode intensificar o consumo de álcool, drogas, sexo sem proteção e compulsão em alimentos, busca uma compensação para um alívio imediato, algo momentâneo. 

Um perfil que fica em evidência nesse comportamento é a auto mutilação, isto surge em momentos de instabilidade, quando passa por uma crise de afeto, usa esse processo como válvula de escape, são pessoas que tem uma auto probabilidade de cometer suicídio – cerca de 8% a 10% de pessoas com Borderline cometem o ato de tirar a própria vida. Dados retirados da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria)

O borderline tem um sentimento muito grande de vazio, com isso ocorrem muitas brigas com a família, cônjuges e namorados. A família não consegue lidar, pois as pessoas que tem borderline podem ir deitar, dormir a noite toda e acordar com bom humor e uma única palavra pode deixar a pessoa com muita raiva, as vezes o borderline pode até pedir desculpa, mas se for contrariado torna a fazer tudo novamente.

COMO LIDAR COM UMA PESSOA BORDERLINE

1. Buscar evitar o confronto com o borderline, não entrar em conflitos.

2. Se proteger e proteger o outro, absorver o que a pessoa fala, pois é um momento de raiva do borderline, saia de perto e deixa a pessoa se acalmar.

3. Quando a pessoa borderline estiver alterada não caia na situação pois ele quer ganhar a discussão.

Quem convive com o borderline tem que ser centrado e deixar a pessoa se responsabilizar dos atos e buscar uma ajuda, você não pode ficar em uma relação com medo da atitude que o outro possa vir a tomar, ou ficar preso em uma relação pois fica com medo do borderline cometer algo mais grave como um suicídio.

Os pais tem que ter sensibilidade para buscar ajuda e procurar regras e limites na relação com o filho e não fazer tudo para o filho com medo da explosão.

O convívio com borderline é uma montanha russa, pois nunca sabemos como a pessoas vão receber a nossa fala.

Jaccques Lacan fala: "Você sabe o que diz, mas não sabe o que o outro escutou". No caso do borderline, essa fala vem a calhar.

E temos o perfil que o bordeline pode externalizar com explosão de raiva, ou temos o perfil que internaliza e com isso realiza auto mutilação. 

Conviver com borderline é ficar pisando em ovos, pois a pessoa com o transtorno é muito desconfiado: ele ama ou odeia.

Em um dia fala que não consegue viver sem a pessoa com juras de amor. No dia seguinte quer que o parceiro suma vai embora.

Em alguns atendimentos, tive paciente adolescente que realizava o ato de mutilar-se, mas ela não tinha o transtorno borderline, não podemos achar que auto mutilação seja borderline, mas temos que investigar qual o contexto que levou o adolescente a essa atitude.

Estudos realizados mostram que a probabilidade do transtorno aparecer é maior com mulheres.

COMO AJUDAR A PESSOA COM BORDERLINE

Incentive ele a buscar ajuda, apoie, no começo não é fácil a pessoa vai ficar resistente, talvez seja necessário participar, ir com a pessoa no atendimento, em alguns casos eles desistem do tratamento, a família e os amigos devem insistir, e não desanimar, pois vai encontrar resistência.  

Fique sempre atento a mudanças de comportamento, se o temperamento está alterado ou se o humor facilmente é afetado. Em alguns casos, pode haver da personalidade ser diferente em ocasiões e/ou dias em especial, é importante estar preparado para os perigos que essa pessoa pode apresentar a si mesmo.

Nesse caso a família também pode buscar ajudar para aprender a lidar com a situação. Acolhendo e com conversa, é possível manter o controle.


Sobre o Autor

Simone Navarro
Instagram: @navarro.simone

Psicanalista, terapeuta floral, Pedagoga, Coach.

  • Especialista em Saúde Mental e Dependência Química.

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1 Comentários

  1. Eu convivo parcialmente com uma pessoa borderline e não é fácil. Fuyi destruída muitas vezes até aprender que se a pessoa não tem limites, eu tenho e tenho que fazer respeitar o meu limite. No momento que eu disse que não ia aguentar mais e coloquei fora de casa, a pessoa começou a mudar de atitude para melhor.
    Boa sorte para que tem um borderline na vida, pois não é fácil.

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