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LEOPOLDINA, a Imperatriz do Brasil

Quando pensamos na independência do Brasil, geralmente, a primeira imagem que vem a nossa cabeça é da famosa tela, pintada por Pedro Américo em 1888, intitulada "Independência ou Morte", na qual, Dom Pedro I está em pose heróica, montado em seu cavalo, às margens do Ipiranga. Logo depois, lembramos da lenda de que ele estaria sofrendo de uma forte dor de barriga nesse momento. 

Normalmente, sempre pensamos no imperador como a única figura importante desta época, porém, hoje, vamos falar de outra pessoa: Maria Leopoldina, sua esposa, nossa Imperatriz, uma mulher cuja participação foi essencial para a independência do Brasil. 

Leopoldina e Dom Pedro

Começando do começo

Carolina Josefa Leopoldina Fernanda Francisca - mais conhecida como Maria Leopoldina - nasceu em 1797, em Viena, na Áustria. (Uma curiosidade é que ela é sobrinha da famosa Maria Antonieta, rainha morta na guilhotina durante a Revolução Francesa). 

Desde criança, nossa futura Imperatriz já apresentava as características que a fizeram ser adorada pelo povo brasileiro: era alegre, determinada e brincalhona, mas também se reservava em algumas ocasiões. Além disso, Leopoldina era muito estudiosa! Falava cinco idiomas e se interessava por entender a história de outros povos.

Aos dez anos, dois fatos mudaram de vez vida da menina. O primeiro, foi a morte de sua mãe, quem era muito ligada, e a chegada de uma madrasta, que influenciou positivamente o pensamento crítico de Leopoldina. Já o segundo, foi a vinda da família real portuguesa para o Brasil fugindo das invasões de Napoleão.

Anos mais tarde, após a derrota do líder francês, Leopoldina chegou a participar de reuniões do Congresso de Viena, amadurecendo, cada vez mais, seu conhecimento político. Assim, com 19 anos, seu pai percebeu que ela estava pronta para se casar.

Conhecendo Dom Pedro

Foram vários os pretendentes negociados para a princesa, incluindo até, um de seus tios. Mas foi Dom Pedro, herdeiro do trono de Portugal, que conquistou a jovem. Leopoldina tinha uma visão utópica do Brasil e da família real. 

Ela não estava por dentro das intrigas familiares que já afetavam o futuro rei e passava horas admirando o pequeno retrato que ganhou com a imagem do noivo. Contudo, embora parecesse apenas uma romântica iludida, Leopoldina tinha plena noção de seu papel dentro da política internacional. 

Em 5 de novembro de 1817, Leopoldina finalmente chega ao Brasil para conhecer seu marido, mas sua felicidade durou poucos dias. Dom Pedro não pretendia abandonar as várias amantes que possuía e, logo depois, ela começou a sentir que ficava abandonada em uma casa de veraneio e não tinha a oportunidade de sair para conhecer a cidade. 

Para tentar se aproximar do príncipe, Leopoldina resolveu educá-lo. Eles passavam horas estudando francês, português, história e música. 

Quando ela finalmente achava que tudo estava caminhando para a direção certa, o rei tirou suas damas de companhia, o que fez com que Leopoldina se enterrasse cada vez mais nos livros e se isolasse da vida social. 

Mas engana-se quem pensa que ela encontrou um mundo de fantasia dentro dessas histórias! A princesa começou a estudar arduamente sobre economia política, botânica, zoologia e clássicos latinos.

Pedro e Leopoldina não podiam ser mais diferentes. Enquanto ele era bruto, impaciente e mal-humorado, ela era infantil, romântica e agitada. 

Nem sua gravidez foi suficiente para unir novamente o casal. A princesa sabia de todos os casos extra-conjugais do marido, mas preferia passar o tempo dedicando-se a seus filhos.

Os Muitos Herdeiros

Durante os nove anos de casamento com Dom Pedro, Leopoldina engravidou nove vezes, sendo sete filhos e dois abortos. Nenhuma de suas gravidezes foi fácil: passava todos os meses sozinha, indisposta e sofria por horas durante o trabalho de parto.

Indo contra a tradição, a princesa desejava amamentar os recém-nascidos por conta própria, coisa que era um escândalo na época. Porém, seu constante estado de tristeza e estresse, por causa de Dom Pedro, nunca a permitiu realizar esse sonho, pois seu leite materno sempre secava.

Após a morte de um de seus filhos, Leopoldina tentou fugir da depressão se jogando de vez nas causas políticas que estavam acontecendo no país.

Independência ou Morte

Ainda que desejasse voltar para a Europa, Leopoldina admitiu que "era preciso preservar o Brasil mesmo que fosse preciso pagar com sacrifícios pessoais". 

Por isso, ela apoiou o marido durante o famoso Dia do Fico, quando Dom Pedro decide não ceder às pressões de Portugal para voltar à metrópole e fica no Brasil.

A verdade é que, enquanto Dom Pedro se satisfazia com suas amantes, Leopoldina tentava tomar as rédeas das situações conflituosas que se espalhavam pelo país. Ela comandava o Conselho do Estado e, com o apoio de José Bonifácio, Ministro de Negócios Estrangeiros, escreveu uma carta para o marido lhe comunicando que proclamasse a independência. E assim foi feito.

Não se pode afirmar que Leopoldina era uma democrata, mas ela sempre deixou claro sua posição em favor das decisões do povo. 

Dessa forma, durante o período de crise política, os opositores de Dom Pedro chegaram a sugerir a derrubada do governante e a coroação da Imperatriz como a verdadeira líder do país.

Por participar de um movimento separatista, a nova Imperatriz do Brasil ganhou o desgosto de seu pai, um monarquista conservador nato. 

Mas não foi isso que desanimou Leopoldina com a política, mas sim a demissão de José Bonifácio, homem que ela admirava e considerava como aliado.

A Marquesa de Santos

O golpe final contra Leopoldina foi a paixão avassaladora do imperador por uma jovem chamada Domitila de Castro. 

Dom Pedro não fazia questão de esconder seu caso e enchia a amante de presentes e privilégios, entre eles, nomeá-la Marquesa de Santos. Isso significava que Domitila estava sempre presente na corte e Leopoldina teria que conviver com ela.

Com o passar do tempo, a situação ficou insuportável para a Imperatriz. Pedro a tratava mal na frente de outras pessoas, Domitila engravidou e os cortes financeiros começaram a afetar a vida pessoal de Leopoldina. 

É triste pensar que ela realmente sofria por amar o marido porque, mesmo com tantas infelicidades, a Imperatriz sempre o perdoava, não importando a circunstância.

No entanto, depois de uma das piores brigas do casal, Leopoldina ficou doente e nunca mais se recuperou. 

A Imperatriz do Povo

Durante seus últimos anos de vida, Leopoldina passou de uma jovem extrovertida para uma adulta melancólica, sendo seus únicos prazeres a literatura, a religião e a educação de seus filhos. Ela parou de cuidar de sua aparência física e tentava ao máximo manter a paz dentro de casa.

A doença de Leopoldina a consumiu de vez e em 11 de dezembro de 1826, aos 29 anos, ela morreu enquanto dormia. Os atos de Dom Pedro não passaram despercebidos pelo povo, que simpatizava com a Imperatriz e deixava clara a insatisfação com o governador.

Durante muito tempo, culparam-no pela morte de sua esposa, afirmando que ela havia morrido por causa de uma agressão - fato que foi desmentido em 2012.

Leopoldina, a Imperatriz do Brasil, viveu a vida intensamente: se apaixonou por seu marido, criou as condições necessárias para a independência de seu país, foi firme quando precisou, aceitou seu destino, morreu por amor e, finalmente, entrou para a história. 

Fontes: Canal História e Tu e livro Biografia Íntima de Leopoldina.

Ver perfil completo do Autor - Marcelle Souza

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