No fim dos anos 80, a morte da jovem Halyna choca a população de uma pequena comunidade ucraniana no sul do Brasil. A tragédia deixa marcas que atravessam o tempo, provocam dores e perdas irreparáveis.  

Mas a história não para por aí! Trinta anos mais tarde, outra morte de um dos moradores da cidade faz com que algumas pessoas comecem a ter experiências sobrenaturais.

Essa é uma rápida introdução à Desalma, nova série do Globoplay, que pode ter passado desapercebida, mas merece a sua atenção.

Por isso, aqui vão alguns motivos do porque você vai querer correr para assistir e fugir dos spoilers!

7 motivos para assistir a Desalma (Globoplay)- Café com Net


1. Terror nacional com gostinho europeu

A trama aborda um ambiente pouco explorado no audiovisual brasileiro, mergulhando na mata sulista para acompanhar uma comunidade de imigrantes ucranianos, isolados da sociedade, tentando manter seus velhos hábitos e rituais pagãos enquanto lidam com os fantasmas da tragédia que marcou a população.

A história tem como pano de fundo a mitologia eslava, a floresta de árvores altas e as enormes cachoeiras. 

E a ambientação não foi uma escolha aleatória, já que o Brasil tem a maior comunidade ucraniana fora do país!

Mas não é apenas pelo cenário Desalma se aproxima da Europa. O gênero de drama sobrenatural, muito mais puxado para um terror psicológico, é sentido a partir do primeiro episódio. O tipo de horror que Desalma busca é frio, lento e sombrio. O foco é construir uma atmosfera bastante densa, da agonia dos moradores de um local assombrado.

Esta experiência sensorial é tão verdadeira, que o seriado foi o escolhido para ser exibido no Festival de Berlim.

2. As mulheres são o foco

Existem três persongens principais em Desalma: Haia, Ignes e Giovana, interpretadas por ninguém menos que Cássia Kis, Claudia Abreu e Maria Ribeiro. Três mulheres, três mães, tentando salvar seus filhos de algo que não conseguem entender.

Inclusive, o criador da série, ou melhor criadora, Ana Paula Maia, já reforçou que sua intenção foi dar o protagonismo para as mulheres. E olha... essas atrizes juntas criam uma explosão em cena, cada uma com a complexidade de seu papel. 

Só por elas, Desalma já valeria a pena.

3. Identidade visual impecável

Desalma apresenta um universo bem diferente. Isso é muito bem entregue pela direção de arte e fotografia de altíssimo nível, que não deixam nada a desejar quando comparadas com séries estrangeiras. 

Uma comunidade rural, uma cultura ucraniana, bruxas e espíritos. A equipe de arte da série entrou no projeto com um grande desafio: amarrar todas essas linguagens e criar uma identidade visual unindo a cenografia, produção de arte, figurino e caracterização.

Com grande influência das paisagens da serra gaúcha, os tons frios predominam. Florestas, penhascos, lagos e ruínas ajudam a intensificar o ar sinistro

É raro de se ver, no Brasil ou fora dele, seriados com uma direção de arte tão caprichada quanto em Desalma.

A ambientação em duas épocas da misteriosa cidade de Brígida, que parece parada no tempo, é impecável. Da mesma maneira, a fotografia, que mergulha na floresta e tira boa parte do colorido da vida dos personagens, contribui para o clima da produção.

4. Trilha sonora

A sonoplastia e a trilha sonora são elementos fundamentais para construir toda a atmosfera sobrenatural de Brígida. Sons e ruídos atravessam as sequências e ajudam a imprimir um universo sombrio, depressivo e misterioso. 

Os sons da série por si só, já são suficientemente assustadores e sensoriais

Talvez seja aqui que as pessoas tenham associado tanto Desalma à série alemã Dark. E eles estavam certos! 

Isso porque, a equipe de pós-edição da obra contou com consultoria do sonoplasta alemão Alexander Wurz, especialista em produções do gênero de suspense sobrenatural, o mesmo criador da trilha de Dark!

Então, se você achou parecido, parabéns, seus sentidos já estão associando às referências.

E por falar em referências...

5. Easter Eggs

É possível ver um esforço dos criadores de distanciar Desalma da imagem de um terror tradicional. Mas a própria série abraça o gênero sem medo.

E como a maioria das obras atuais, a produção utiliza muitos elementos como inspiração

Um quadro que associa um personagem a um pintor, ou uma foto que remete a imagem a uma determinada cena, um figurino parecido... 

Ao longo do seriado é possível sentir um gostinho de influências como O Iluminado (1980), A Profecia (1966), Poltergeist (1982), Twin Peaks (1990) ou O Homem de Palha (1973).

6. Teorias

Desalma é daquelas séries que você precisa solucionar um mistério. E o que isso significa? Criar teorias, compartilhar ideias, debater, tentar adivinhar o que vai acontecer e se surpreender com cada episódio.

A base teórica que permeia toda a trama é a de Transmigração de Almas. Mas não se engane: estamos, sim, falando de um programa de horror

Então: por mais que este termo não seja assustador, a série bate repetidamente na tecla de que uma alma pode mudar durante esse processo. O que resulta em grande parte do mistério da história.

7. É maratonável

Ok, são dez episódios, não é pouco. Mas os capítulos têm uma média de apenas 40 minutos. Além disso, o ritmo da série é extremamente assertivo, fazendo com que esqueçamos o tempo passar.

Os cliffhangers são perfeitos e causam a famosa sensação de “só mais um episódio” e, quando você vê, já está quase no fim da série.

Por fim, mas não menos importante: Desalma já está confirmada para a segunda temporada. Então, nada de ficar apreensivo pela ideia de que você não saberá o desfecho da história.

E aí, animou?

É claro que Desalma não é uma série perfeita, ela peca em alguns pontos - como na falta de diversidade e o elenco adolescente que deixa um pouco a desejar. 

Mas exaltar a arte nacional é uma ação que deveria ser constante. Portanto, por que não incentivar um conteúdo que acreditamos e achamos que vale a pena, não é?!

Não deixem de contar o que acharam da série, vamos debater aqui nos comentários!


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